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Samambaiaçu: uma testemunha viva da Mata Atlântica na Serrinha do Alambari

guilherme661
24 de set.
4 min de leitura

Atualizado: 28 de set.

Quem percorre as trilhas e caminhos da Serrinha do Alambari pode encontrar, em meio à Mata Atlântica, uma planta que parece ter saído de outro tempo.

Com suas grandes folhas formando uma espécie de copa e seu tronco que pode alcançar alguns metros de altura, a samambaiaçu chama a atenção pela aparência imponente. Mas aquilo que parece uma pequena árvore é, na verdade, uma samambaia.

Seu nome científico é Dicksonia sellowiana, uma espécie nativa do Brasil e conhecida também por nomes como xaxim ou xaxim-bugio.

Na Serrinha do Alambari, sua presença ganha ainda mais significado por estar inserida em uma região onde a conservação da Mata Atlântica é uma das principais razões para a existência da Área de Proteção Ambiental.


Uma samambaia que parece uma árvore


Quando pensamos em samambaias, normalmente imaginamos plantas pequenas, que crescem próximas ao solo ou sobre outras árvores.

A samambaiaçu é diferente.

Ao longo de muitos anos, seu caule cresce verticalmente e forma um verdadeiro tronco. No alto, surgem as grandes folhas, chamadas frondes, criando uma copa que pode lembrar a de uma pequena palmeira.

É uma planta de crescimento muito lento. O tronco é formado gradualmente e apresenta as marcas deixadas pelas folhas que caíram ao longo de sua vida.

Por isso, encontrar uma samambaiaçu de grande porte dentro da floresta é também encontrar uma planta que pode ter levado muitos anos para chegar àquela dimensão.

A espécie pode atingir aproximadamente quatro metros de altura, embora seu tamanho varie de acordo com as condições ambientais.



Samambaiaçu (Dicksonia sellowiana), uma das espécies que fazem parte da rica biodiversidade da Mata Atlântica da Serrinha do Alambari.
Samambaiaçu (Dicksonia sellowiana), uma das espécies que fazem parte da rica biodiversidade da Mata Atlântica da Serrinha do Alambari.




Uma espécie ameaçada


A história da samambaiaçu também nos ajuda a entender por que a conservação da Mata Atlântica é tão importante.

Durante muito tempo, o tronco dessa planta foi explorado para a fabricação do chamado xaxim, utilizado principalmente como suporte e substrato para o cultivo de plantas ornamentais, especialmente orquídeas.

A exploração excessiva reduziu populações naturais da espécie em diversas regiões.

Atualmente, Dicksonia sellowiana está incluída na lista nacional de espécies da flora ameaçadas de extinção e é classificada na categoria Em Perigo (EN) pela Portaria MMA nº 148, de 2022.

O Centro Nacional de Conservação da Flora, ligado ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, também registra o histórico de intensa exploração da espécie para a produção de vasos e placas de xaxim.

Por isso, proteger uma samambaiaçu significa contribuir para a conservação de uma espécie que faz parte da história natural da Mata Atlântica.


O antigo xaxim


Talvez muita gente já tenha visto ou até utilizado um vaso de xaxim sem saber de onde ele vinha.

O tradicional xaxim era produzido a partir do tronco da samambaiaçu.

O problema é que, para retirar esse material, era necessário cortar a própria planta. Como seu crescimento é muito lento, a exploração comercial acabou causando um impacto significativo sobre suas populações naturais.

Com a necessidade de proteger a espécie, a extração do xaxim natural deixou de ser uma alternativa ambientalmente aceitável.

A Embrapa destaca que a extração da Dicksonia sellowiana foi proibida e que novos materiais passaram a ser desenvolvidos para substituir o xaxim tradicional.

Hoje, quando encontramos uma samambaiaçu crescendo livremente na floresta, sua permanência ali representa justamente aquilo que a conservação procura garantir: que a planta possa continuar vivendo e se reproduzindo em seu ambiente natural.


A Samambaiaçu e a Mata Atlântica da Serrinha


A APA da Serrinha do Alambari está localizada em Resende, na Serra da Mantiqueira, na encosta leste do Parque Nacional do Itatiaia.

A área protege as partes altas das microbacias dos rios Alambari e Pirapitinga e possui altitudes que variam aproximadamente entre 700 e 2.300 metros.

A preservação de seus ambientes naturais é uma das características que tornam a Serrinha especialmente importante para o ecoturismo e para a observação da natureza.

Nesse ambiente de montanhas, rios, matas e áreas úmidas, espécies como a samambaiaçu encontram condições para continuar fazendo parte da paisagem.

E essa é uma das belezas de caminhar pela Serrinha: muitas vezes, aquilo que parece apenas parte da vegetação revela uma história muito maior.


Uma planta que nos faz olhar para o passado


Existe algo especialmente fascinante na Samambaiaçu.

Ela pertence a um grupo de plantas muito antigo, e sua aparência nos dá a sensação de estar diante de uma paisagem de outros tempos.

Imagine uma floresta muito antes da existência das cidades, estradas e construções.

Samambaias de diferentes tipos já faziam parte desses ambientes.

Hoje, quando encontramos uma grande Samambaiaçu no meio da Mata Atlântica, ela funciona quase como uma pequena testemunha desse passado.

Não é necessário que ela seja uma árvore gigantesca para impressionar.

Seu tronco, suas grandes folhas e o ambiente úmido da floresta ao seu redor já são suficientes para lembrar que estamos diante de uma natureza que possui uma história muito mais antiga do que a nossa.


A importância de preservar


A conservação de uma espécie ameaçada não depende apenas de grandes áreas protegidas.

Ela também depende da consciência de quem vive e de quem visita esses lugares.

Não retirar plantas da mata, não cortar árvores ou samambaias, respeitar as trilhas e evitar qualquer intervenção na vegetação são atitudes simples que ajudam a preservar esse patrimônio natural.

Na Serrinha do Alambari, a proteção do ambiente é particularmente importante porque a APA reúne áreas de grande valor paisagístico e ecológico. A própria Prefeitura de Resende destaca a boa condição de preservação de seu ecossistema e sua vocação para o ecoturismo.


Quando encontrar uma Samambaiaçu, pare e observe


Talvez, durante uma caminhada pela Serrinha, você encontre uma Samambaiaçu.

Antes de passar adiante, vale a pena parar por alguns segundos.

Observe seu tronco.

Olhe as marcas deixadas pelas folhas antigas.

Veja como suas grandes frondes se abrem em direção à luz.

E pense que aquela planta pode ter levado muitos anos para alcançar aquele tamanho.

Ela está ali porque encontrou condições para sobreviver e porque, em algum momento, sementes ou esporos deram origem a uma nova planta.

Preservá-la significa permitir que esse ciclo continue.


A natureza que queremos conservar

No Vale das Bromélias, estamos cercados por uma natureza que merece ser conhecida não apenas por sua beleza, mas também por sua história.

A Juçara, a Samambaiaçu, as bromélias, as árvores da Mata Atlântica, os rios e os animais formam uma grande rede de vida.

Cada espécie tem sua importância.

E talvez uma das melhores formas de conhecer a Serrinha do Alambari seja justamente aprender a reconhecer essas espécies e compreender por que elas precisam permanecer onde sempre estiveram: vivas e protegidas dentro da floresta.

 
 
 

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